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por Bruno Moreno

Trecho de uma entrevista com o presidente uruguaio, o ex-tupamaro, José Mujica, antes de se eleger. Interessante notarmos a aproximação que ele faz entre política e afeto. Uma leitura sutil da relação entre os seres humanos e a política, além de um olhar também sutil sobre o diálogo “superior” entre o governante e o povo.

 Aqui, Mujica nos convida a refletir sobre os movimentos da população em torno da política, ou a política em torno dela. De certa forma, nos remete a questão da despolitização cotidiana da própria política (pegando emprestado um artigo de Frei Betto).  Mais do que isso: na descrença crescente em relação à política.

 Por isso Mujica fala em tótem e desloca o entendimento do ser político, embora brevemente, do campo racional.

Se o acionar racional culminou no afastamento cidadão-política, o acionar afetivo pode ser o seu resgate?

 Trechos da entrevista (tradução própria. Grifos meus):

 01:50 “Na política, voce tem que construir (…) Apesar de tudo o homem é um bicho… …FUNDAMENTALMENTE AFETIVO. O QUE NAO RESOLVE NO CAMPO DO AFETO, NAO PODERÁ RESOLVER NO CAMPO DAS IDÉIAS. Ainda mais para o homem comum, que é o que interessa. É preciso ter um pouco de afeto. Isso é um VALOR POLÍTICO. (…) Precisamos ser como o povo, precisamos viver como ele. É preciso ter uma linguagem que ele entenda. E que nao o vulgarize. Mas que vulgarize as coisas importantes para que ele as possa entender. É preciso sofrer com ele. E ter alegria com ele. É UMA FORMA DE COMUNICACAO SUPERIOR!!! E isso nao se faz por dinheiro. É preciso separar isso do dinheiro. Quem gosta muito de dinheiro, volto a repetir, que vá trabalhar em profissoes liberais, indústria, comércio, tudo bem. Tudo bem e faca o que quiser…”que leve tudo pro caixao”…sem problema. Mas, na política, coloque a alma ! Nao se deve fazer isso por dinheiro. Deve-se fazer isso por “carinho humano”. É elemental (de elemento, nao de fundamento). (…) Se nao soubermos preservar a política para as pessoas, elas deixam de acreditar na política. E como transformarmos a sociedade se nao construímos ferramentas coletivas , às quais podemos chamar de partidos, tanto faz, mas onde as pessoas se sintam relativamente consubstanciadas e ACREDITEM? (…) TEMOS QUE ACREDITAR. Pode ser em um tótem, em uma pedra, em uma religiao, em uma causa, mas TEMOS QUE ACREDITAR. CONFIRMAR-SE NA VIDA!!!. Porque a vida é linda.

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