por Bruno Moreno

Robert D.  Kaplan, um dos principais pensadores da política externa americana, acaba de lançar novo artigo na Foreign Affairs. Seu trabalho anterior, na mesma publicação, baseou-se em uma análise do Oceano Índico enquanto novo cenário (central) geopolítico. China e Índia armavam uma corrida em busca das ilhas na região, bases presentes e futuras da ascendência comercial, política e militar no Oceano que concentra “70% do tráfego de petróleo” mundial.

Agora,  o cientista político volta o seu olhar para a projeção de poder chinesa. Em artigo intitulado “The Geography of Chinese Pwer – How Far Can Beijing Reach on Land and at Sea”,  Kaplan mostra o crescimento do poderio militar chinês não em terra senão, principalmente, em direção ao mar.

O autor demonstra que o país vem aumentando vertiginosamente sua projeção na região e traça alguns cenários: no futuro das relações com as Coréias e Rússia (menos ofensivo no primeiro caso e mais conflituoso no segundo); na delicada questão da autonomia tibetana; e da percepção dos Estado fronteiriços frente ao aumento de poder chinês .

A cereja do bolo, no entanto, está na ênfase que coloca no Taiwan como o possível palco de uma disputa entre EUA e tal potência. A idéia sustentada por ele é que Taiwan funciona como um intermediador entre a hegomonia naval chinesa na região e a presença norte-americana para evitá-la. Um procura dominar esse intermediador para alcançar a hegemonia. O outro precisa ampliar sua cooperação com as nações da região (através, em última instância, da presença) para não deixar isso acontecer.

Kaplan, usando como arcabouço teórico uma parte do raciocínio de Mershmeier (um realismo ofensivo pra lá de pragmático), pinta-nos, revela-nos, os movimentos que o poder poderá realizar no tabuleiro global.

Em suas palavras,  esses movimentos podem ser o “signal drama” de nossos tempos.

Artigo completo Kaplan: The Geography of Chinese Power- How Far Can Beijing Reach on Land and at Sea

China Expands Naval Power

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