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por Bruno Moreno

Esse post não é um texto extenso. Trata-se de um outro tipo de,  que apesar de sucinto (geralmente é), resume idéias mais profundas e com frequência fazem as vezes de uma discussão mais ampla: os quadrinhos.

Neste caso, de um retirado do jornal argentino Página 12, de autoria de Miguel REP, um cartunista que se destaca pela associação da arte com seus ideais políticos e sua interpretação do cotidiano (sua campanha pessoal, quixotesca, pela “Lei do Livro” é uma luta de alguns anos. Válida de ser vista).

O cartoon fala de um assunto já debatido, e de uma forma já mostrada. Com uma clara coloração “marxista” – entre aspas, sempre –  (engessando a idéia de classes) tem seu quê de verossímil e seu quê de defasado (principalmente no que concerne à idéia de uma classe menos favorecida quase animalizada, brutalizada, manipulada, sem vontade própria e sem nuances ou interesses nem sempre tão românticos quanto os pensados pela coloração esquerdista). No entanto é um exercício sempre válido pensarmos sobre isso, principalmente sob a luz da nova crise européia.

Nesse sentido, deixo, como exercício de imaginação e comparação, a sugestão de entender tal rico no papel das corporações e sua relação com a crise (e de quem paga por ela). É a idéia de um mercado que não mede os riscos (bad behaviour) de suas atitudes, gera instabilidade em toda a sociedade, é resgatado pelo(s) Estado (s) e, ao tentar reerguer-se (ao tentarem reerguê-lo), mina objetiva e drasticamente, e em última instância, os bolsos de quem não liderou a instabilidade (vide o plano do FMI para salvar a Grécia e a receita de bolo por esses tempos já clássica: corte de salários, diminuição brutal de investimentos públicos, privatização, diminuição da rede de proteção social etc).

Em recente artigo de George Friedman para o think tank Stratfor, o autor traça esse caminho com mais profundidade. Deixo a sugestão de leitura e destaco um trecho:

The greatest systemic risk, therefore, is not an economic concept but a political one. Systemic riskemerges when it appears that the political and legal protections given to economic actors, and particularly to members of the economic elite, have been used to subvert the intent of the system. In other words, the crisis occurs when it appears that the economic elite used the law’s allocation of risk to enrich themselves in ways that undermined the wealth of the nation. Put another way, the crisis occurs when it appears that the financial elite used the politico-legal structure to enrich themselves through systematically imprudent behavior while those engaged in prudent behavior were harmed, with the political elite apparently taking no action to protect the victims.

In the modern public corporation, shareholders — the corporation’s owners — rarely control management. A board of directors technically oversees management on behalf of the shareholders. In the crisis of 2008, we saw behavior that devastated shareholder value while appearing to enrich the management — the corporation’s employees. In this case, the protections given to shareholders of corporations were turned against them when they were forced to pay for the imprudence of their employees — the managers, whose interests did not align with those of the shareholders. The managers in many cases profited personally through their compensation system for actions inimical to shareholder interests. We now have a political, not an economic, crisis for two reasons. First, the crisis qualitatively has moved beyond the boundaries of a cyclical event. Second, the crisis is rooted in the political-legal definitions of the distribution of corporate risk and the legally defined relations between management and shareholder. In leaving the shareholder liable for actions by management, but without giving shareholders controls to limit managerial risk taking, the problem lies not with the market but with the political system that invented and presides over the limited liability corporation.

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