Matéria assertiva sobre José Antônio Reguffe saiu no Valor Econômico desse final de semana. Intitulada  “Candidato à solidão”, mostra o político com maior voto proporcional do Brasil (18% dos votos válidos, eleito em Brasília) derramando ações éticas aparentemente irrepreensíveis. O jornalista e economista, por exemplo, abriu mão do 14 e 15 salários, cortou sua verba de gabinete, tem tem 14 assessores a menos do que os outros deputados distritais, economiza mais de 53 mil por mês aos cofres públicos e não usa “um centavo” do auxílio-moradia e das passagens áreas.  Além disso, sua campanha foi realizada com exatos “R$ 143.800,oo, tudo declarado. Sem comitê, sem carro de som, sem ninguém remunerado, sem marqueteiro e sem doação de pessoa jurídica”.

Reguffe parece uma versão jovem (38 anos), mais enérgica e com ferramentas mais claras de ascensão política, do “Senador Caxias”, imortalizado por Carlos Vereza em O Rei do Gado (um dos raros personagens que podem e devem ser destacados das anti-obras novelescas).  Amigo, seguidor e ex-aluno do senador Cristovam Buarque, o deputado pelo PDT centra sua fala em  rara afinidade ao que deverá ser o centro (os centros, se possível) do debate político futuro: a luta “pela ética na coisa pública”, o meio ambiente, e a prioridade da reforma política e da educação. Além disso, em si mesmo é um balaio explosivo de carisma eleitoreiro: jovem (mais uma vez), de aparente simplicidade, carioca “da gema” com atuação na capital, flamenguista, católico simpático ao movimento carismático e à Teologia da Libertação, tem boa relação com o PV e está embebido (pelo menos em discurso) no bojo de uma tradição centro-esquerdista de respeito (é admirador de Covas, Brizola, Darcy Ribeiro, o próprio Cristovam e Jefferson Peres).

Reguffe diz que priorizará a luta pela reforma política (em consonância com quem vos escreve, também a considera altamente prioritária). Baseará essa caminhada em cinco pontos:  fim da reeleição para cargos executivos e proibição de mais do que uma reeleição para o mesmo cargo legislativo; voto facultativo; voto distrital, diminuindo a distância entre representante e representado; revogabilidade de mandatos e a “mexe num vespeiro” proibição de doações e financiamento EXCLUSIVAMENTE público para campanhas políticas.

Em um período de descrença em candidatos e políticos, um nome para se observar, acompanhar e fiscalizar. Tão maior o potencial, no mata-mata político, enorme são os obstáculos para que não vingue (ou desvirtue-se no vingar).

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