Parte da grande mídia mundial vende o plano de salvamento da Grécia, conduzido pelo FMI, como vital para que se evite uma catástrofe de efeitos globais. Mais uma vez esconde-se os reais feitores dessa crise. E, como parte do jogo, também os que mais sofrerão com ela (que não a originaram). Esconde-se, nessa brincadeira que perdeu seu cheiro pueril, as alternativas aos ditames ortodoxos econômicos. Existem outras formas, mas elas interessam a “poucos” (muitos, o que significa, nesse mundo em que as palavras se redefinem, a mesma coisa).

Carta Maior diz que 75% dos gregos são contra as medidas de austeridade fiscal, que resultarão em cortes no funcionalismo público, nos investimentos do país, desemprego massivo, todas velhas conhecidas dos países latinoamericanos, que sofreram com a mesma prece no final dos anos 80, início dos 90.

O dinheiro injetado vai parar nas mãos de quem criou as mirabolâncias do mercado financeiro e arca apenas com os ganhos, não com os prejuízos, profundos, causados por elas. É o lado mais fraco da corda que estoura. 

O Guardian e a Reuters, apesar de pouco divulgada por aqui, e mesmo hierarquicamente subjugada no lay-out  editorial deles, informam sobre a revolta do povo grego, que reedita a ágora antiga em busca de uma nova voz, que pouco ouvida está sendo.

A democracia é a representatividade dos barões das finanças?  Raymundo Faoro, digníssimo pensador político brasileiro, dizia sobre as elites nacionais: “Querem um país de 20 mil habitantes e uma democracia sem povo”.

No novo arranjo “democrático” mundial, reduz-se às migalhas esse número. Mantem-se o povo, enquanto conceito tautoexcludente, de fora dele.

 

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