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Editorial da Carta Maior. ( Merece ser lido, rezado, enquadrado).

O executivo-chefe do Citigroup, Vikram Pandit receberá este ano US$ 80 milhões relativos a pagamentos não salariais, além de bônus e incentivos, num volume que pode superar os US$ 200 milhões. A informação é da agência Bloomberg. O Citi foi o banco símbolo da crise engendrada pela supremacia das finanças desreguladas que esganou a economia, o emprego e a democracia em todo o planeta, como avultam os exemplos da Grécia, Espanha, Portugal etc. Foi, ademais, a instituição financeira que recebeu o maior balão de oxigênio do Estado norte- americano. Em novembro de 2008, no auge da crise,  o governo dos EUA assumiu a responsabilidade de resgatar a montanha desordenada de créditos podres e ações esfareladas que fizeram do Citi um emblema da maior crise do capitalismo desde 1929. A canalização de dinheiro dos contribuintes incluiu US$ 20 bilhões de injeção de capital para mitigar os rombos de caixa do Citi; US$ 25 bilhões em programa de ajuda oficial; garantias do Estado para US$ 306 bilhões de ativos problemáticos (créditos podres ou em processo de putrefação acelerado). Para falar o bom português: o Citi foi estatizado, embora mantido nas mãos do mercado –essas coisas existem. A título de  prestação de contas à opinião pública, que naturalmente não digeriu bem o amparo a uma das alavancas da crise que ceifou 30 milhões de empregos no mundo, convencionou-se que o salário do presidente do Citi ficaria restrito a simbólico US$ 1 por ano. Agora se vê que os chamados ‘restos a pagar’ -que podem chegar a US$ 200 milhões’- permitiam tal demagogia.  Vê-se, ademais, que, rtrês anos depois da hecatombe, as medidas regulatórias destinadas a devolver a pasta para dentro do tubo fracassaram. E a tal ponto, que, um executivo-chefe como Pandit, que assumiu em 11 de dezembro de 2007, dá-se ao luxo de conciliar ganhos milionários com uma queda de 87% no valor das ações do Citi desde a sua posse. Eis o xis da questão: todas as línguas do mundo aprenderam a dizer ‘o fracasso neoliberal’ para caracterizar a crise. Mas Wall Street continua mandando. De Obama a socialistas cínicos passando pelos bem intencionados, ninguém bota o guizo no gato.

(Carta Maior; 3º feira, 05/07/ 2011)
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