Artigo de Rodrigo Medeiros no Valor de hoje resume muito bem a preocupante dependência brasileira da exportação de commodities (produtos básicos).  Os principais pontos:

  • Saldo deficitário do comércio exterior de US$ 5, 7 bilhões no Amazonas, só esse ano e de US$ 12, 5 bilhões em São Paulo revela muito a situação do Polo Industrial de Manaus e o que “vem acontecendo com o polo industrial mais sofisticado do país”. Ver Balança Comercial
  • O superávit comercial no primeiro semestre de US$ 13 bilhões se deu pela valorização dos preços das commodities. Houve aumento da participação das últimas na exportação de 43,4% em 2010 para 47,5% (mesmo período).  Os manufaturados caíram de 40,5% para 36,7%.  Só a China representa 16,9% dos destinos de exportações tupiniquins. E só ela representa 14% das importações. O Estados Unidos, 15,1%.  Outro dado importante é que 45,5% das importações são de bens de capital (bens que permitem produzir outros bens).
  • O articulista se questiona sobre a negação de algumas pessoas do processo de desindustrialização.  Os números são claros. E além disso, como já foi visto, por causa da carga dos juros, os superávits primários se transformam em déficits nominais, “além de ultrapassar em muito as várias rubricas sociais do gasto público”.
  • Sua tese final defende que o desemprego e desigual distribuição de renda não foram resolvidos no ciclo neoliberal iniciado nos governos conservadores 30 anos atrás. E que além disso, no Brasil, houve uma acomodação com o boom das commodities da década de 2000. Para ele, “a industrialização não deve ser abandonada como estratégia de desenvolvimento nacional”. Chama atenção para o deslocamentos dos discursos dos “falcões tupiniquins” que antes defendiam a taxa alta de juros para atrair capitais externos e agora, satisfeito o caixa-forte, dizem que é para combater a inflação de commodities.

Junto a esse artigo, vale lembrar a discussão em torno dos controles de capitais, levando em consideração que o que está mantendo a balança de pagamento mais ou menos a flote é a circulação desacompanhada do capital de portifólio, volátil e especulativo, junto a essa dependência dos preços valorizados dos produtos básicos. Mesmo assim, tal fato não impediu que as rubricas “juros”, “gastos dos brasileiros no exterior” e “remessa de lucros” afundassem a transação, nos levando a um déficit acumulado, nos últimos meses, de quase US$ 50 bilhões.

Fica a pergunta de Rodrigo Medeiros:

O governo Dilma Roussef tem condições políticas e coragem para efetivar uma nova política industrial sintonizada com mudanças necessárias na macroeconomia vigente?

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