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Notícia desta semana mostra que a China passou a ser o principal destino das exportações da África do Sul, com um total de 26 bilhões de dólares no comércio entre os países. Esses números vêm somar-se ao fato do país asiático também ser o principal destino das exportações brasileiras, outra “letra” do BRICS, e em breve também das importações, como indicou estudo do IPEA.

A relação da China com a África do Sul não para por aí. Está inserida em um âmbito mais complexo e maior da presença do Estado asiático no continente, que se dá através de formas como investimento direto, doações, perdão de dívida, ajuda técnica, infra-estrutura e auxílio miltar .

De acordo com paper do think tank Brics Policy Center intitulado “A Cooperação Sino-Africana: tendências e impactos para a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento“, diferente dos investimentos ocidentais, as práticas de ajuda ao desenvolvimento da China na África têm:

(…) ênfase em projetos que facilitem o incremento da produção de bens em setores complementares à economia chinesa como forma de garantir a manutenção de suas taxas de crescimento econômico, incluindo programas e projetos de educação e transferência de tecnologia

  E, por isso, emergem ante as formas liberais de ajuda, privilegiando, de acordo com a interpretação do texto, as formas horizontais, não-hierárquicas, sem as condicionalidades das primeiras. Apesar disso, é importante salientar as relações de interesses entre ajudado-ajudador, por assim, dizer, mostrando a fragilidade de tal dicotomia:

a ajuda ao desenvolvimento proporcionada pela China, não tem como ênfase a redução da pobreza ou, poderíamos aduzir, a reforma estrutural, mas sim, o crescimento econômico através da criação de situações que se apresentariam como vantajosas para os dois atores cooperantes

Resta pensar quais vantagens, de quais atores dos cooperantes, e se elas reeditarão a assimetria vista em outros tempos nas relações de desenvolvimento Norte-Sul. Abundam as críticas à política externa chinesa na África no que concerne o desrespeito ao meio ambiente, aos direitos humanos e a possível construção da dependência do mais fraco em relação ao mais poderoso.

Apesar de bastante diferentes das relações sinoafricanas, as sino-brasileiras apresentam questões parecidas, acrescidas de um debate acerca da cooperação/competição (embora, mais uma vez, isso não signifique necessariamente uma dicotomia, podendo os termos coexistir e se retroalimentarem) entre os dois países, global players cada vez mais importantes no tabuleiro mundial. Lógica, esta, que também poderá ser aplicada na interação da República Popular com o estado africano, dependendo da evolução das relações.

Será a letra “C” fiadora do desenvolvimento do “B-S”? Por isso mesmo, e/ou apesar disso, fonte de instabilidade no já instável conceito de unidade da sigla?

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